Imagine a cena: você vai para o deserto, pega uma espingarda e decide atirar em um cacto. Parece uma atividade tão sem sentido que dificilmente alguém conseguiria transformar isso em tragédia, mas conseguiram.
Em fevereiro de 1982, David Grundman, de 27 anos, estava no deserto do Arizona acompanhado de um amigo para praticar tiro. Em determinado momento, David resolveu transformar os grandes cactos saguaro em alvos. E não estamos falando de uma plantinha de vaso que ficaria tranquila na sala de casa.
O saguaro é aquele cacto gigante, típico do deserto do Arizona, que parece ter saído de um desenho de Velho Oeste. Alguns exemplares chegam a vários metros de altura e podem pesar toneladas.
David já havia derrubado um cacto menor quando decidiu partir para um alvo bem maior. Segundo registros da época, ele disparou pelo menos duas vezes contra um saguaro com aproximadamente 7 e 8 metros de altura.
Até aqui, a ideia já era ruim. O problema é que ela ainda podia ficar muito pior.
O cacto resolveu revidar
Os disparos danificaram o saguaro e David estava muito perto da planta quando uma parte dela se soltou.
E aqui entra o detalhe que transformou uma história absurda em um dos casos mais conhecidos de morte envolvendo um cacto.
Um grande braço do saguaro caiu sobre David e o "desviveu". Uma publicação do National Parks Conservation Association, feita ainda em 1982, registrou que o cacto tinha cerca 8 metros de altura e pesava aproximadamente duas toneladas.
Com o tempo, a história ganhou várias versões. Algumas aumentaram o tamanho do cacto, outras acrescentaram detalhes sobre o que David teria feito antes dos disparos, mas nada muda o fato de que um cara aleatório decidiu ir ao deserto para atirar em um cacto e acabou morto pelo próprio cacto que estava tentando derrubar.
O caso em uma espécie de lenda urbana. Só que o acontecimento básico é bem documentado.
É o tipo de história que parece inventada por alguém que passou do ponto na hora de contar uma piada.
Só que aconteceu de verdade.
Não foi lenda urbana
Registros publicados pouco depois da morte relatam que David estava no deserto com um amigo e que havia disparado contra o saguaro antes de ser atingido pela planta. Uma publicação de julho de 1982, por exemplo, descreveu o caso e informou que o amigo estava presente quando o cacto caiu.
A história também foi posteriormente analisada por vários jornalistas, justamente porque parece boa demais para ser verdade. Mas o caso é real, ou seja, pelo menos dessa vez a realidade conseguiu ser mais estranha que a ficção.
O detalhe que deixa tudo ainda mais absurdo
Existe uma ironia extra nessa história. Os saguaros são protegidos no Arizona, e danificar ou destruir essas plantas é proibido pela legislação estadual. Atirar em um deles não era apenas uma ideia ruim do ponto de vista da segurança. Também era uma péssima ideia do ponto de vista legal.
David, aparentemente, não considerou nenhum desses dois problemas.
Ele olhou para um cacto gigante, pensou que seria um bom alvo e começou a atirar.
O resultado foi uma espécie de discussão unilateral em que o cacto teve a última palavra.
E a história ainda ganhou um prêmio
A gracinha do David ficou tão conhecida que o caso acabou entrando para a cultura popular.
Em 1994, ele recebeu postumamente um Darwin Award de 1982, prêmio dado de maneira satírica a pessoas que, por decisões extremamente imprudentes, acabam removendo a si mesmas do processo de seleção natural.
Também surgiu uma música chamada "Saguaro", da banda Austin Lounge Lizards, inspirada no episódio.
É difícil imaginar uma maneira mais estranha de entrar para a história musical de uma banda do Texas.
Mas afinal, o cacto "matou" o homem?
Tecnicamente, não foi o cacto que decidiu atacar alguém. David foi quem disparou contra a planta, danificou sua estrutura e acabou ficando no lugar errado quando uma parte dela caiu.
Mas, se você quiser resumir a história em uma frase, fica difícil melhorar:
Um homem foi ao deserto para atirar em um cacto e morreu quando o cacto caiu sobre ele.
É justamente essa simplicidade absurda que fez o caso sobreviver por décadas.
Conclusão
A história de David Grundman parece uma piada pronta, mas é um caso real documentado desde 1982. O que começou como uma sessão de tiro contra cactos terminou com um saguaro de vários metros de altura derrubando o próprio atirador.
A melhor lição talvez seja também a mais óbvia: se você encontrar um cacto gigante no deserto, não precisa transformar a planta em inimiga. Ela já tem espinhos, pesa toneladas e, como essa história mostrou, não precisa nem sair andando para causar um estrago considerável.
E fica a regra de ouro para qualquer passeio pelo deserto: admire o cacto, tire uma foto e siga seu caminho. Atirar nele é uma péssima ideia em praticamente todos os sentidos.
Se você achou essa história absurda, compartilhe o artigo com aquele amigo que sempre diz que "não vai dar nada" e deixe um comentário contando o que achou desse duelo entre homem e cacto.

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