Por que a capacidade dos pen drives continua aumentando e por que os pequenos raramente são vendidos hoje em dia?


Por que pendrives pequenos estão desaparecendo das lojas?

Hoje em dia, se você procurar por um pendrive de 1 GB provavelmente vai perceber que ele desapareceu das lojas, e não é porque a indústria parou de fabricar. O fato é que ficou caro demais, proporcionalmente, fabricar e vender um pendrive com tão pouco espaço, e para entender isso, basta voltar um pouco no tempo.

Pendrives de 1 GB já foram cobiçados, mas a evolução da memória NAND tornou grandes capacidades tão baratas que os modelos pequenos perderam espaço.

Quando 1 GB era muito espaço

No começo dos anos 2000, 1 GB de armazenamento em um pendrive era algo bastante interessante. Em 2002, por exemplo, a JMTek anunciava um USBDrive com capacidade de até 1 GB. Para a época, era uma quantidade respeitável de espaço, mas hoje em dia, a história é completamente diferente.

Um pendrive de 1 GB é pequeno até para tarefas simples. Para instalar um sistema operacional, transportar vídeos ou manter uma coleção de documentos exige muito mais armazenamento.

Os modelos atuais de fabricantes conhecidos costumam começar em capacidades  maiores. Há opções de 64 GB, 128 GB, 256 GB, 512 GB e até 1 TB.

A capacidade aumentou, mas o mais curioso foi o que aconteceu com o preço da memória.

A memória flash ficou mais barata

Nos primeiros anos da memória flash, o armazenamento era extremamente caro, podendo chegar a passar de US$ 8.000 por gigabyte. Em 2013, esse valor já havia caído para cerca de US$ 0,94 por GB e essa queda mudou completamente o mercado.

Imagine que você tenha uma pequena caixa para guardar arquivos. Antigamente, cada centímetro dessa caixa era caro. Então fazia sentido fabricar uma versão pequena para gastar menos.


Com o avanço da tecnologia, o espaço dentro da caixa ficou muito barato. A partir daí, não compensa tanto fabricar uma caixa menor, porque boa parte do custo está em outras peças.

É exatamente isso que acontece com um pendrive.

Um pendrive precisa de vários componentes além do chip de memória NAND. Existe o controlador, a placa de circuito, o conector USB, a carcaça e a embalagem.

Depois ainda entram custos de montagem, transporte, armazenamento e venda.

Ou seja, retirar parte da memória não elimina todos esses gastos.

Se um fabricante consegue colocar 64 GB de memória em um dispositivo pelo preço que antes seria necessário para uma capacidade muito menor, fabricar uma versão de 1 GB deixa de ser uma vantagem comercial.

O produto continua funcionando, mas passa a ser pouco interessante para quem fabrica e para quem compra.

Em resumo, pendrives pequenos não ficaram impossíveis de fabricar, eles apenas se tornaram um produto ruim para vender.

Como a memória NAND passou a guardar tanta informação?

Durante anos, os fabricantes trabalharam para colocar cada vez mais informação em uma área física menor. Isso envolveu células de memória menores, técnicas capazes de armazenar vários bits em cada célula e, posteriormente, o uso da chamada 3D NAND.

Na prática, é como sair de um estacionamento de uma única camada e começar a construir vários andares. Em vez de tentar aumentar o espaço apenas ocupando uma área maior, você aproveita a dimensão vertical.

Isso permitiu aumentar bastante a capacidade dos chips sem transformar o pendrive em um tijolo.


Um exemplo interessante aconteceu em 2005. Toshiba e SanDisk anunciaram um chip NAND de 8 Gb capaz de armazenar 1 GB. O chip era pouco maior que o modelo anterior de 4 Gb, mas oferecia o dobro da capacidade.

A tecnologia continuou avançando e a quantidade de dados armazenada em cada chip cresceu rapidamente. Porém, mais capacidade não significa necessariamente mais velocidade e existe outro detalhe que costuma confundir quem compra armazenamento.

Um pendrive com mais gigabytes não é automaticamente mais rápido.

A velocidade depende de vários componentes, principalmente do tipo de NAND utilizado, do controlador e da interface USB.

Por isso, um pendrive de 512 GB pode ser mais lento que outro modelo com 128 GB, dependendo da tecnologia empregada.

Capacidade diz respeito a "quanto cabe", já Velocidade diz respeito a "quanto tempo leva para ler ou gravar esses dados"E essas são duas características  completamente diferentes.

Por que 1 GB ficou pequeno demais?

Arquivos cresceram, sistemas operacionais ficaram maiores e tarefas que antes exigiam pouco armazenamento passaram a consumir vários gigabytes. O uso que fazemos dos computadores mudou muito.

Um exemplo simples é a instalação do Windows. A ferramenta da Microsoft exige um pendrive vazio com pelo menos 8 GB para criar uma mídia de instalação.

Isso já elimina um pendrive de 1 GB de uma das tarefas mais comuns para quem mantém um dispositivo USB guardado na gaveta.

Se você vai comprar um pendrive hoje, pagar pouco mais por uma capacidade muito maior costuma fazer mais sentido do que procurar um modelo antigo de baixa capacidade.

Então os pendrives pequenos desapareceram completamente?

Não. Eles ainda podem ser encontrados em alguns mercados específicos, principalmente em equipamentos industriais e sistemas embarcados.

Nesses casos, capacidade não é necessariamente a prioridade. Compatibilidade, resistência, durabilidade e uma configuração fixa podem ser mais importantes.

Existem fabricantes especializados que ainda oferecem unidades industriais de 1 GB e até modelos de 256 MB, mas para o consumidor comum, porém, esses modelos deixaram de fazer sentido.

O curioso caso do armazenamento que ficou barato demais

A história dos pendrives mostra uma situação curiosa da tecnologia. Normalmente pensamos que produtos desaparecem porque ficaram caros ou porque deixaram de funcionar. Aqui aconteceu algo diferente: a memória ficou maior e mais barata.

Quando era necessário pagar caro por cada gigabyte, vender produtos com pouca capacidade fazia sentido. Quando a indústria passou a colocar dezenas ou centenas de gigabytes em chips menores e mais baratos, reduzir a capacidade deixou de representar uma economia significativa no preço final.

É por isso que hoje você encontra facilmente um pendrive de 64 GB, mas pode ter dificuldade para encontrar um modelo novo de 1 GB.

Não é falta de tecnologia. É economia.

O problema da Malandragem

E como era de se esperar, nem tudo são flores nessa história. Como era de se esperar, da mesma forma que esse desenvolvimento da tecnologia e diminuição de custo trouxe melhorias e vantagens, também trouxe um problema mundial: as falsificações

Muitas pessoas mal intencionadas se aproveitam desde sempre da ingenuidade e da necessidade dos usuários que acabam caindo em golpes pelo mundo a fora comprando falsos HDs externos ou pendrives que prometem quantidades absurdas de armazenamento por preços muito atraentes. O caso mais recorrente é o do famoso SSD ou pendrive de 2 TB baratinho que no final, acaba sendo uma bela furada. 

E o mais interessante sobre isso é que, para qualquer pessoa um pouco mais informada esse chamariz é bem claro, ou seja, 2 TB por menos de R$ 20,00 com certeza é falso, porém, para uma grande quantidade de desavisados, essa isca sempre funciona, e isso vem de muito tempo atrás, quando ainda se usava cartões de memória.

Conclusão

Os pendrives de baixa capacidade não desapareceram porque a indústria esqueceu como fabricá-los. Eles perderam espaço porque a tecnologia NAND evoluiu tanto que armazenar muitos gigabytes passou a custar pouco.

Um pendrive ainda precisa de controlador, placa, conector, carcaça, montagem e transporte, independentemente de ter 1 GB ou dezenas de gigabytes. Quando a memória se tornou barata, economizar justamente nela deixou de compensar.

Para quem compra, isso é uma boa notícia. Por pouco dinheiro, é possível carregar muito mais arquivos do que era possível há alguns anos. Para quem sente saudade daqueles pendrives de 128 MB, 256 MB ou 1 GB, eles acabaram virando uma espécie de fotografia da evolução do armazenamento.

E essa evolução continua. O que hoje parece uma capacidade enorme provavelmente vai parecer pequeno daqui a alguns anos.

Se você gostou dessa explicação, compartilhe este artigo com quem ainda lembra quando 1 GB de armazenamento parecia coisa de outro mundo. E deixe um comentário contando qual foi o primeiro pendrive que você comprou e qual era a capacidade dele.

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